Clubes brasileiros enfrentam riscos trabalhistas com a terceirização de equipes de esportes eletrônicos.

A Justiça do Trabalho brasileira determinou que o Sport Club Corinthians Paulista deve responder por salários atrasados devidos a jogadores e funcionários de suas antigas equipes de esports.

A decisão ocorre mesmo com o clube tendo licenciado toda a operação para uma empresa terceirizada, que era a responsável contratual pelos pagamentos trabalhistas.

O levantamento nos tribunais regionais revelou dezenas de ações envolvendo a gestão terceirizada, conforme informação divulgada por ESPORTEADVOCATE.

Processos trabalhistas no Corinthians

Uma pesquisa publicada pelo ge.globo mapeou 30 processos trabalhistas movidos contra o Corinthians e sua ex-licenciada, a empresa CDS E-Sports e Entretenimento Ltda.

Das ações registradas, 13 já tiveram decisões aplicadas, sendo sete em primeira instância e seis em grau de recurso nos tribunais regionais.

Em 10 desses casos, o Corinthians foi considerado subsidiariamente responsável ao lado da CDS, enquanto apenas três julgamentos favoreceram o clube inicialmente.

Impacto financeiro e passivos

Os processos somam mais de R$ 2,8 milhões em valores atribuídos pelos reclamantes, embora os montantes exatos sejam definidos caso a caso na fase de execução judicial.

A juíza Jane Granzoto Torres da Silva pontuou que o clube contratou uma empresa sem capacidade de honrar compromissos trabalhistas, assumindo o risco da parceria.

O administrador da CDS, Milson Januário, relatou anteriormente atrasos na folha de pagamento e problemas contratuais antes do rompimento do vínculo com o clube.

Fim da parceria e rescisão

O Corinthians declarou os contratos com a CDS rescindidos com efeito imediato em agosto de 2025, após problemas graves com editores de jogos e atletas.

A modalidade de Valorant enfrentou atrasos salariais prolongados e a publisher Riot Games repassou a vaga do Circuito Desafiante diretamente aos jogadores.

O clube paulista afirmou formalmente que a responsabilidade contratual e o dever de indenizar continuam sendo da empresa gestora da operação dos times.

Perguntas Frequentes

Por que o Corinthians foi condenado na Justiça do Trabalho?

O Corinthians foi responsabilizado subsidiariamente porque a lei trabalhista brasileira permite cobrar da empresa que se beneficiou do trabalho quando o empregador formal não paga.

Qual era o papel da empresa CDS E-Sports?

A CDS E-Sports era a licensee responsável por gerenciar as operações, contratar os jogadores e arcar com os custos de folha de pagamento das equipes de esportes eletrônicos.

Qual é o valor total envolvido nos processos?

As ações judiciais somam mais de R$ 2,8 milhões em valores iniciais atribuídos pelos reclamantes, com montantes específicos calculados individualmente nos processos de execução.

Outros clubes brasileiros correm o mesmo risco?

Especialistas indicam que a jurisprudência trabalhista atual coloca clubes licenciadores em risco de arcar com dívidas de folha de pagamento de operadoras terceirizadas.