Contradições em arquivos da Uefa ameaçam o recurso do Manchester City nas acusações da Premier League.

O Manchester City enfrenta um novo obstáculo em sua defesa jurídica após o The Times revelar que documentos enviados à Uefa anos atrás podem enfraquecer o recurso do clube na Premier League, conforme informação divulgada por trivela.

O clube inglês foi considerado culpado em setembro de 114 acusações financeiras, incluindo o uso de contratos fictícios para disfarçar mais de 830 milhões de libras em financiamentos secretos entre 2009 e 2018.

Enquanto a Premier League analisa os argumentos apresentados pela diretoria inglesa na última sexta-feira, a Uefa monitora de perto o desfecho do processo disciplinar para definir possíveis medidas adicionais.

Contradição em pagamentos de Abu Dhabi

Segundo o jornal britânico, o Manchester City informou à Uefa, há mais de seis anos, que dois pagamentos de 15 milhões de libras realizados em 2012 e 2013 vieram de Jaber Mohamed, diretor-geral da Corte do Príncipe Herdeiro dos Emirados Árabes Unidos.

No entanto, o clube omitiu essa ligação institucional na época, afirmando que as transações foram organizadas pelo Abu Dhabi United Group com recursos teoricamente originados na patrocinadora Etisalat.

O problema central é que a defesa atual do clube adota a narrativa oposta, afirmando justamente que o governo de Abu Dhabi financiou diretamente esses patrocínios comerciais.

Histórico com a Uefa e o Tribunal Arbitral

Em 2020, a Uefa baniu o Manchester City da Champions League por dois anos e aplicou multa de 30 milhões de euros por violações do Fair Play Financeiro.

Contudo, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) derrubou o banimento e reduziu a multa para dez milhões de euros, concluindo que a entidade europeia não provou a dissimulação de aportes.

O TAS também destacou que boa parte das acusações estava prescrita pelo prazo de cinco anos adotado pela Uefa, limitação que não existe no regulamento da Premier League.

O papel da Premier League e da Federação Inglesa

Diferente da Uefa, a Premier League teve acesso a um volume muito maior de documentos internos, incluindo os e-mails vazados em 2018 para o periódico alemão Der Spiegel.

O Manchester City classificou consistentemente esses vazamentos como materiais roubados ou hackeados e retirados de contexto para prejudicar a imagem institucional da equipe.

Uma nova comissão independente formada por três integrantes avaliará se houve erros jurídicos no julgamento anterior, com expectativa de desfecho antes do final deste ano.

Fim do prazo e possíveis sanções futuras

A Federação Inglesa de Futebol (FA) confirmou publicamente na última semana que está considerando cuidadosamente a decisão e todas as suas implicações regulatórias.

Caso o veredito de culpa seja mantido pela comissão independente, a federação tomará medidas disciplinares adicionais contra o clube comandado pelo técnico Pep Guardiola.

O Manchester City nega veementemente todas as acusações e formalizou o recurso oficial na última sexta-feira, buscando reverter a decisão desfavorável da liga inglesa.

Perguntas Frequentes

Por que documentos antigos da Uefa podem prejudicar o Manchester City?

Porque a defesa atual do clube contraria informações prestadas à Uefa há mais de seis anos sobre a origem de pagamentos milionários vindos de Abu Dhabi.

Qual é a acusação da Premier League contra o Manchester City?

O clube foi declarado culpado de 114 violações financeiras por usar contratos fictícios para esconder 830 milhões de libras em financiamentos secretos entre 2009 e 2018.

A Uefa pode punir o Manchester City novamente?

Sim, a Uefa está monitorando o atual processo disciplinar da Premier League para decidir se tomará novas medidas contra a instituição esportiva.

Qual a diferença entre os casos da Uefa e da Premier League?

A Uefa aplicou regras com prazo de prescrição de cinco anos e não teve acesso a todos os e-mails internos, enquanto a Premier League não possui essa prescrição e analisou um volume probatório muito maior.